É preciso atenção para evitar sequelas

É preciso atenção para evitar sequelas
Traumas na face podem ser causados por inúmeros motivos e entre os principais estão os acidentes com motos, seguidos pelos acidentes com automóveis. Contudo, as fraturas também podem ser ocasionadas em brincadeiras, durante a prática de algum esporte, agressões físicas, entre tantas outras situações. “Nos acidentes envolvendo a face, os ossos se fraturam para dissipar as forças do impacto que, se chegassem ao cérebro, certamente provocariam algum tipo de dano”, afirma o responsável pela cirurgia do Trauma Facial dos Hospitais Santa Catarina e Santo Antônio, de Blumenau, José Carlos Martins Jr.
A área maxilofacial compreende a região que vai desde a parte superior do nariz, envolve os ossos zigomáticos (maçãs do rosto), maxilares e mandibulares. De acordo com Martins, pacientes sem o diagnóstico correto de um trauma nos ossos da face ou que não sabem onde procurar ajuda, geralmente sofrem com as sequelas. “Quanto mais cedo o diagnóstico, mais fácil o tratamento. O tempo decorrido do trauma até o tratamento é de fundamental importância para se evitar complicações tardias”, afirma o cirurgião dentista.
O afundamento de um osso deve ser identificado pelo exame clínico, através de raios-X ou tomografia, antes que a situação passe de uma fratura facial simples, de fácil tratamento, para uma sequela. Neste caso, o tratamento se torna mais difícil e nem sempre satisfatório. Geralmente, as fraturas faciais não causam dor, exceto na mandíbula, que causam incômodo durante a deglutição e fala. A ausência de sinais relevantes leva à detecção tardia do trauma se o exame não for feito imediatamente após o acidente. “De cada cinco pacientes que opero, um percebe a fratura, os demais são indicados por médicos”, salienta Martins.
Fraturas na maxila podem ser identificadas pela desoclusão dentária (mordida torta). Já nas maçãs do rosto, o mais comum é o achatamento facial com sensação de anestesia da região abaixo do olho afetado, asa do nariz e dentes incisivos e canino do mesmo lado. Sintomas visuais também podem estar presentes, como distopia (olho caído) e diplopia binocular (visão dupla), além de travamento da abertura bucal em alguns casos.
Fatores que alteram a estética, como a assimetria do rosto, geralmente levam os pacientes ao médico. Mas as principais e mais importantes causas são em relação à funcionalidade, que dificultam a abertura da boca, alteram a mastigação, deglutição, respiração e fala. Em crianças, a identificação tardia pode tornar o problema ainda mais grave, pois interfere diretamente no processo de desenvolvimento e crescimento craniofacial.
Evolução no tratamento
De acordo com o cirurgião maxilofacial José Carlos Martins Jr., que iniciou sua formação no tratamento de pacientes com fraturas em 1997, no Hospital Souza Aguiar, no Rio de Janeiro, a evolução no tratamento de pacientes com traumas faciais é muito significativa. Antigamente, a solução do problema exigia técnicas nada agradáveis e recuperação lenta e dolorosa. Hoje, o cirurgião consegue abordar os ossos da face através de pequenos acessos em qualquer parte do rosto ou por dentro da boca, ficando as incisões faciais reservadas para os casos mais complexos de politraumatismos. A cirurgia é mais rápida, as cicatrizes são imperceptíveis e o pós-operatório é muito mais fácil. Martins explica que a abordagem atual visa à fixação rígida dos ossos fraturados com o uso de microplacas e microparafusos, devolvendo o contorno anatômico (estética) e as funções do rosto do paciente.
Segundo estatísticas levantadas pelo cirurgião sobre intervenções realizadas nos Hospitais Santa Catarina e Santo Antônio, de 2006 até o final de março de 2009 foram realizadas quase 800 cirurgias maxilofaciais, tendo havido um aumento considerável do volume de traumatologia, em 2007, devido à criação do ambulatório de trauma facial do Hospital Santo Antônio, que atendeu uma demanda reprimida de sequelas de fraturas e reconstruções faciais tratadas de forma não apropriada. “O número atendido tem uma expressão maior quando somamos os casos de traumas faciais de diferentes causas que não foram submetidos à cirurgia, ou por falta de um diagnóstico correto, por serem traumas de baixa intensidade nos quais não havia indicação cirúrgica ou, o mais trágico, havia lesões faciais graves que levaram o paciente ao óbito”, afirma.
Martins está desenvolvendo um trabalho para o curso de Medicina da Universidade Regional de Blumenau (FURB), que visa levantar o perfil epidemiológico das cirurgias do trauma facial feitas nos Hospitais Santo Antônio e Santa Catarina, de Blumenau, de 2004 a 2009. Com previsão de conclusão do trabalho no segundo semestre deste ano, o cirurgião pretende traçar de forma mais precisa o perfil desses traumas.
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